postado em: 17/06/20 as 16:35, atualizado em: 07/07/20


Ameron apoia campanha nacional ‘Sinal Vermelho contra a violência Doméstica’

​Por meio da ação, mulheres vítimas de violência podem marcar um x vermelho na palma da mão e mostrar para atendentes de farmácias pedindo ajuda


A violência doméstica é um problema que afeta não só as mulheres, mas toda a sociedade brasileira. Com o isolamento social ocasionado pela pandemia do novo coronavírus, essa prática acabou aumentando. Diante desta alarmante situação, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançaram, neste mês de junho, a campanha ‘Sinal Vermelho para a Violência Doméstica’. A iniciativa conta com o apoio da Associação dos Magistrados do Estado de Rondônia (Ameron), além das demais entidades de outros estados. O foco é ajudar mulheres em situação de violência a pedirem ajuda nas farmácias do país, uma vez que enfrentam dificuldade em denunciar os agressores.

O protocolo é simples: com um “X” vermelho na palma da mão, que pode ser feito com caneta ou mesmo um batom, a vítima sinaliza que está em situação de violência. Com o nome e endereço da mulher em mãos, os atendentes das farmácias e drogarias que aderirem à campanha deverão ligar, imediatamente, para o 198 e reportar a situação. O projeto conta com a parceria de 10 mil farmácias e drogarias em todo o país. A capacitação dos colaboradores das farmácias será voltada para o atendimento e acolhimento a essa mulher e não prevê que os balconistas ou farmacêuticos sejam conduzidos a delegacias nem chamados a testemunhar.

“O cenário de violência doméstica tem estado ainda mais cruel nesse período de pandemia. A combinação do isolamento com o comportamento controlador e abusador do parceiro, o consumo de álcool e drogas, o desemprego, entre outras circunstâncias agravantes, potencializam o risco de agressão”, disse o presidente do CNJ, ministro Dias Toffoli.

Segundo informado pelo CNJ, a criação da campanha é o primeiro resultado prático do grupo de trabalho criado pelo conselho para elaborar estudos e ações emergenciais voltados a ajudar as vítimas de violência doméstica durante a fase do isolamento social. O grupo foi criado pela Portaria nº 70/2020, após a confirmação do aumento dos casos registrados contra a mulher durante a quarentena, determinada em todo o mundo como forma de evitar a transmissão do novo coronavírus. Em março e abril, o índice de feminicídio cresceu 22,2%, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“A Ameron, em nome da magistratura rondoniense, não poderia ficar de fora desta campanha, com um mote tão relevante para a sociedade, que é a questão da violência doméstica. Ainda mais em tempos de isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus. Os números de violência contra a mulher têm aumentado substancialmente e nós, magistrados e o Poder Judiciário, trabalhamos atuando em todas as frentes para o enfrentamento desse problema”, salienta o presidente da Ameron, desembargador Alexandre Miguel.

A vice-presidente da Ameron, Inês Moreira da Costa, é enfática em dizer: “diga não à violência contra as mulheres, seja de que forma ela ocorrer! A omissão ou o silêncio em denunciar essa violência é um aliado do agressor, pois permite que ele continue, sem punição. É preciso romper esse silêncio, e a campanha do CNJ e da AMB, abraçada pela Ameron, é importante porque permite que se denuncie de forma não verbal e facilita quebrar o ciclo de violência contra as mulheres”, declara.

Para a presidente da AMB, juíza Renata Gil, o inovador projeto pode vir a ser uma ação inédita que tenha efeito global. “Mulheres estão morrendo em todo o mundo por não estarem conseguindo ajuda. Estudo recente revelou que apesar do aumento da violência nesse período de isolamento, nenhum país do mundo conseguiu aplicar uma política pública que ajudasse a protege-las na pandemia. Essa campanha pode ser uma saída”, disse. “Com o isolamento social por causa da pandemia, as mulheres estão sendo mantidas, inclusive, em cárcere privado. Nós já recebemos várias denúncias nesse sentido. Por isso é tão importante a campanha silenciosa. Ela se dirige exatamente às mulheres que possuem dificuldade de denunciar”, reforçou a presidente da AMB.

Fonte: Ascom Ameron

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