postado em: 10/05/20 as 11:00, atualizado em: 10/05/20


Isolamento social aproxima a família das magistradas no Dia das Mães


O segundo domingo de maio é comemorado o Dia das Mães no Brasil, uma data em que a família inteira costuma se reunir para festejar o amor das mamães e presentear quem dedicou parte da vida para educar a prole. Mas, em virtude do cenário de pandemia do COVID-19 (novo coronavírus), autoridades sanitárias recomendam evitar a aglomeração de pessoas para impedir a propagação do vírus, o que tem levado a suspensão de inúmeros festejos tradicionais por todo país e até mesmo as festas de aniversários com grande número de pessoas.

Como dois lados de uma mesma moeda, o isolamento social traz alguns pontos positivos, como destaca a juíza Deisy Cristhian Lorena de Oliveira Ferraz. “Não enxergo um óbice comemorar o dia das mães dentro do nosso lar. O importante é a família bem e com saúde e não o local onde estamos”, opina a magistrada. Nesse momento de isolamento a juíza da comarca de Ariquemes faz uma reflexão sobre o equilíbrio em exercer a judicatura com a missão de ser mãe de três crianças – Letícia, Lara e Leonardo. “O desafio de ser mãe e magistrada requer uma armadura, uma dose de paciência e uma chuva de amor. O apreço pela carreira, o amor incondicional pela família depende de equilíbrio e perseverança para lidarmos com missões tão sacerdotais. Somos guerreiras que não fugimos das batalhas diárias e regozijamos no final do dia com o calor do abraço de um filho e isso não tem preço.”, completa.

A juíza Anita Magdelaine Perez Belem da comarca de Cacoal também compartilha da mesma opinião no que se refere a quarentena, pois possibilitou a reaproximação da família em tempos de globalização. “Ano passado comemorei o Dia das Mães longe dos meus filhos em razão das aulas no mestrado em Direitos Humanos, agora, mesmo com todas as dificuldades decorrentes do isolamento e do risco do contágio de algo tão grave, estou tomada de gratidão por estar com eles, acalentando e acomodando tudo o que é possível fazer nesse momento. O desdobramento com a magistratura nos dias atuais tem sido gigante e árduo, porque os compromissos em responder a todos os chamados de todas as ordens requerem calma, paciência e muita resiliência. Por outro lado, redescobrimos o prazer em realizar muitas atividades juntos que o corre-corre do dia a dia nos suprimia. Verdadeiramente o que não tem preço”, comenta a mãe do Lucas e da Ana Clara.

Ser mãe e magistrada, ao mesmo tempo, é um sentimento de difícil definição para ser representado por palavras na visão da juíza Anita Magdelaine, mas ainda assim é possível expressar esse sentimento entrelaçado. “A maternidade é um livro de mistérios cujas descobertas nos levam a sobressaltos e calmaria, nos toma o prumo da vida, sentimos medo da ausência e rogamos ao Pai Celeste que diminua o ritmo para que possamos aproveitar os mais simples e importantes momentos. Gerar, parir, criar, maternar produz tantas emoções e sentimentos que, por vezes, não podemos definir. É lindo, é solitário, é intenso, é difícil, é para sempre! Quaisquer semelhanças com a magistratura pode ser coincidência. Ser mãe e magistrada é, diante das premissas, muito mais do que dizer o direito, é conjugar inseguranças, angústias, realizações, alegrias e um exercício de amor infinito ao próximo”, denota a magistrada.

A juíza Michiely Aparecida Cabrera Velezi Benedeti se tornou a mamãe do ano, pois há quatro meses o Davi ganhou mais um irmão. A magistrada tem aproveitado o afastamento da jurisdição devido a licença maternidade para cuidar do pequeno Bento. “Tenho procurado ver o lado bom do isolamento, buscando ao invés do pânico e do tédio celebrar a possibilidade de estar em família e fazer atividades conjuntas que em muitos momentos desejamos fazer, mas não temos tempo. Observo com um olhar amoroso para esse momento tão difícil e procuro tirar coisas boas e proveitosas disso tudo. Estamos aprendendo a desacelerar e a saborear mais esses momentos da vida. Aproveitar um dia de cada vez. Como diz na Bíblia ‘a cada dia basta o seu cuidado’, pois se ficarmos pensando na incerteza do futuro acabamos desesperando. Assim, tentamos ao máximo aqui em casa aproveitar essa situação em benefício da família”, pondera a magistrada.

De acordo com a juíza Michiely Cabrera, a magistratura a transformou em um ser humano melhor por ter reforçado conceitos e ética, proporcionando maior firmeza em cada passo que dá ao longo da vida; enquanto que a maternidade elevou uma luz nova nas funções e maior motivação para exercer as atividades laborais de forma a abrir ainda mais os caminhos que trilhava. “Uma complementa a outra, fazendo com que eu seja cada dia mais completa e realizada. E isso faz com que eu possa entregar uma prestação jurisdicional cada dia mais valorizada e melhor. Para mim, ambas são missão, missão de melhorar o mundo, missão de fazer justiça, missão de servir, missão de fazer o bem. É para isso que trabalhamos, é nisso que nos dedicamos e é nisto que miramos. Ser mãe e magistrada são bênçãos que as palavras não conseguem expressar completamente, mas sim, ambas são missão”, finaliza.

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